Naomi: It's all over.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
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skins
terça-feira, 27 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
Leonard Zelig: [in a hypnotic trance] My brother beat me. My sister beat my brother. My father beat my sister and my brother and me. My mother beat my father and my sister and me and my brother. The neighbors beat our family. The people down the block beat the neighbors and our family.
I'm twelve years old. I run into the synagogue. I ask the rabbi the meaning of life. He tells me the meaning of life, but he tells it to me in Hebrew. I don't understand Hebrew. Then he wants to charge me 600 dollars for Hebrew lessons.
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cinema
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Super Bock Super Rock 2010: Dia 18.
A hora das incertezas: The Morning Benders apresentam-se no palco secundário às 19h20 e Stereophonics no palco principal às 19h10. Nenhuma das bandas é, a nível pessoal, exactamente uma referência: desconhecia o conteúdo dos primeiros e os segundos passam-me completamente ao lado. A escolha inicial acabou por recair nos The Morning Benders, uma banda que, a avaliar pelos três temas iniciais do alinhamento apresentado, se revelou desprovida de grande interesse ou energia. Deu-se então oportunidade aos Stereophonics, ainda que em vão, já que só conseguiram provar uma vez mais a sua extrema banalidade e artificialidade de expressão.

O início estava marcado para as 20h20, hora de Britt Daniel e a sua banda tomarem conta do palco principal (Wild Beasts actuaram à mesma hora, mas já diziam os MGMT, "decision to decisions are made and not bought"). Se em disco os Spoon se revelam uma das melhores coisas a acontecerem ao rock alternativo da última década, ao vivo não se ficam por menos. Em primeiro lugar, a banda de Austin não é de cerimónias: Britt Daniel pegou na guitarra acústica e deu, de súbito, início ao concerto com "Me and the Bean" (o mesmo indíviduo que duas horas se encontrava a passear pelo recinto travando conhecimento com os festivaleiros), só sendo acompanhado pelos restantes elementos ao segundo tema, "The Underdog". Um avião esquizofrénico dessa marca de bebida energética tentou desviar as atenções, mas acabou por se juntar à festa. Já se ia em "Don't Make me a Target" (feliz incidência em Ga Ga Ga Ga Ga) quando a electricidade tomou conta do recinto. É bastante incompreensível como uma banda desta magnitude passa relativamente despercebida perante o público português, mas o feedback melhora à medida que se passeiam os trunfos: "The Way we Get By", "I Turn my Camera On" ou "I Summon You" trazem outra vitalidade à prestação. É ainda de notar a eficácia dos temas do novo disco ao vivo.

Os The National não vieram actuar para um público exactamente desconhecido: à parte dos agradecimentos debitados aos festivaleiros, o facto de apresentarem um alinhamento e uma entrega como o que aconteceu no passado Domingo no Meco é, sim, uma verdadeira prova de devoção. Percorrendo quase todos os recantos de maior relevância da sua discografia (que não são escassos), dificilmente se poderia ter ido mais longe: Boxer a dominar uma boa percentagem da actuação ("Mistaken for Strangers" revela-se um início terrivelmente eficaz, enquanto "Slow Show" desdobra a sua força motriz em bruto e "Fake Empire" eleva tudo até à estratosfera), tempo para Alligator ("Secret Meeting" é um excelente catalisador de emoções emergentes, enquanto "Mr. November" é a catarse em forma incendiária) e destaque para High Violet (cujos temas relativamente frescos acabam por contagiar a actuação - "Terrible Love" tem a verdadeira expressão tocada ao vivo e "Afraid of Everyone" é um claramente um dos ases do conjunto). A nível pessoal, talvez um pouco menos deste último disco fosse necessário ao set. No entanto, também o fim com "About Today" não é em vão - é, aliás, devastador.
Um pequeno apontamento para o "espectáculo" de Prince: uma performance bastante interessante, não fosse confundir-se várias vezes com um manifesto nacionalista. Em relação à "histórica" actuação do fado de Amália Rodrigues com Ana Moura acompanhada à guitarra eléctrica tratou-se, no minímo, de uma perda de identidade total da Arte: se se diz que a palavra "saudade" não tem tradução em mais nenhuma linguagem que não o português, também o sentimento do Fado não me parece ser passível de tradução neste tipo de demonstração. A fechar, de notar que "Purple Rain" é o épico de três horas do artista norte-americano. Obrigado.

O início estava marcado para as 20h20, hora de Britt Daniel e a sua banda tomarem conta do palco principal (Wild Beasts actuaram à mesma hora, mas já diziam os MGMT, "decision to decisions are made and not bought"). Se em disco os Spoon se revelam uma das melhores coisas a acontecerem ao rock alternativo da última década, ao vivo não se ficam por menos. Em primeiro lugar, a banda de Austin não é de cerimónias: Britt Daniel pegou na guitarra acústica e deu, de súbito, início ao concerto com "Me and the Bean" (o mesmo indíviduo que duas horas se encontrava a passear pelo recinto travando conhecimento com os festivaleiros), só sendo acompanhado pelos restantes elementos ao segundo tema, "The Underdog". Um avião esquizofrénico dessa marca de bebida energética tentou desviar as atenções, mas acabou por se juntar à festa. Já se ia em "Don't Make me a Target" (feliz incidência em Ga Ga Ga Ga Ga) quando a electricidade tomou conta do recinto. É bastante incompreensível como uma banda desta magnitude passa relativamente despercebida perante o público português, mas o feedback melhora à medida que se passeiam os trunfos: "The Way we Get By", "I Turn my Camera On" ou "I Summon You" trazem outra vitalidade à prestação. É ainda de notar a eficácia dos temas do novo disco ao vivo.

Os The National não vieram actuar para um público exactamente desconhecido: à parte dos agradecimentos debitados aos festivaleiros, o facto de apresentarem um alinhamento e uma entrega como o que aconteceu no passado Domingo no Meco é, sim, uma verdadeira prova de devoção. Percorrendo quase todos os recantos de maior relevância da sua discografia (que não são escassos), dificilmente se poderia ter ido mais longe: Boxer a dominar uma boa percentagem da actuação ("Mistaken for Strangers" revela-se um início terrivelmente eficaz, enquanto "Slow Show" desdobra a sua força motriz em bruto e "Fake Empire" eleva tudo até à estratosfera), tempo para Alligator ("Secret Meeting" é um excelente catalisador de emoções emergentes, enquanto "Mr. November" é a catarse em forma incendiária) e destaque para High Violet (cujos temas relativamente frescos acabam por contagiar a actuação - "Terrible Love" tem a verdadeira expressão tocada ao vivo e "Afraid of Everyone" é um claramente um dos ases do conjunto). A nível pessoal, talvez um pouco menos deste último disco fosse necessário ao set. No entanto, também o fim com "About Today" não é em vão - é, aliás, devastador.
Um pequeno apontamento para o "espectáculo" de Prince: uma performance bastante interessante, não fosse confundir-se várias vezes com um manifesto nacionalista. Em relação à "histórica" actuação do fado de Amália Rodrigues com Ana Moura acompanhada à guitarra eléctrica tratou-se, no minímo, de uma perda de identidade total da Arte: se se diz que a palavra "saudade" não tem tradução em mais nenhuma linguagem que não o português, também o sentimento do Fado não me parece ser passível de tradução neste tipo de demonstração. A fechar, de notar que "Purple Rain" é o épico de três horas do artista norte-americano. Obrigado.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Super Bock Super Rock 2010: Dia 17.

Holly Miranda apresenta-se em palco com a sua banda e com bastante electricidade. Não se tendo livrado por completo das comparações com Chan Marshall, ao vivo é bastante evidente que os seus temas funcionam bastante bem despidos dos arranjos (talvez um pouco excessivos) do disco. Arriscando-se em covers encadeadas no alinhamento, foram poucos os temas a que tive oportunidade de assistir. Contudo, ouvir o tema "Joints" já fez, quanto a mim, valer a vinda da cantautora a território nacional.

Passa pouco das 21h e sobe ao palco principal Julian Casablancas (conhecido enquanto vocalista dos geracionais The Strokes) para apresentar o seu álbum a solo. Na fila da frente um cartaz pedia-lhe que trouxesse os seus amigos dos The Strokes e, ao assistir à sua actuação, percebe-se bem porquê. Se o seu disco se trata de um produto absolutamente descartável, ao vivo os temas não melhoram. Nem as investidas nas músicas da banda nova-iorquina ou em músicas natalícias salvam a sua performance de ser extremamente penosa. A desilusão do festival está encontrada.

Quem se segue são os Hot Chip. A apresentar One Life Stand, um disco extremamente recomendável, a electropop da banda britânica nada deve aos registos de estúdio, antes pelo contrário. De uma energia dançável absolutamente contagiante, a prestação foi uma das mais alegres e agitadas a que se assistiu no Meco: Alexis Taylor desdobra a sua aparência nerd em danças e percussões, e o público não fica minimamente indiferente. A passagem por temas como "Over and Over", "Thieves in the Night" ou "One Life Stand" conduzem um alinhamento irrepreensível que culmina numa reinvenção de um dos maiores êxitos comerciais da banda: "Ready for the Floor". O palco está aquecido para o regresso de um dos maiores fenómenos de 2008.

É com "Holiday" que se inicia um percurso bastante completo pelos dois discos de Vampire Weekend. Ao vivo, e mesmo tratando-se de um álbum que necessite de alguma maturação que só o tempo se pode encarregar de trazer, os temas de Contra recebem ovações quase tão entusiásticas como os do primeiro álbum. É com "Cousins" que se levanta a primeira nuvem densa de pó, intensificando-se em "A-Punk" (ainda um dos temas mais urgentes e com maior apelo energético da banda), com "Run" enquanto ligação. Ouvir o público do Meco a gritar em uníssono "Blake's got a new face!" foi claramente um dos momentos mais memoráveis da actuação, onde "Campus" se comprova como uma das composições mais fortes ouvida nos três dias de festival. O final com "Horchata", "Mansard Roof" e a excelente "Walcott" (a última nuvem de pó do dia) dificilmente poderia ser mais certeiro.

Passa pouco das 21h e sobe ao palco principal Julian Casablancas (conhecido enquanto vocalista dos geracionais The Strokes) para apresentar o seu álbum a solo. Na fila da frente um cartaz pedia-lhe que trouxesse os seus amigos dos The Strokes e, ao assistir à sua actuação, percebe-se bem porquê. Se o seu disco se trata de um produto absolutamente descartável, ao vivo os temas não melhoram. Nem as investidas nas músicas da banda nova-iorquina ou em músicas natalícias salvam a sua performance de ser extremamente penosa. A desilusão do festival está encontrada.

Quem se segue são os Hot Chip. A apresentar One Life Stand, um disco extremamente recomendável, a electropop da banda britânica nada deve aos registos de estúdio, antes pelo contrário. De uma energia dançável absolutamente contagiante, a prestação foi uma das mais alegres e agitadas a que se assistiu no Meco: Alexis Taylor desdobra a sua aparência nerd em danças e percussões, e o público não fica minimamente indiferente. A passagem por temas como "Over and Over", "Thieves in the Night" ou "One Life Stand" conduzem um alinhamento irrepreensível que culmina numa reinvenção de um dos maiores êxitos comerciais da banda: "Ready for the Floor". O palco está aquecido para o regresso de um dos maiores fenómenos de 2008.

É com "Holiday" que se inicia um percurso bastante completo pelos dois discos de Vampire Weekend. Ao vivo, e mesmo tratando-se de um álbum que necessite de alguma maturação que só o tempo se pode encarregar de trazer, os temas de Contra recebem ovações quase tão entusiásticas como os do primeiro álbum. É com "Cousins" que se levanta a primeira nuvem densa de pó, intensificando-se em "A-Punk" (ainda um dos temas mais urgentes e com maior apelo energético da banda), com "Run" enquanto ligação. Ouvir o público do Meco a gritar em uníssono "Blake's got a new face!" foi claramente um dos momentos mais memoráveis da actuação, onde "Campus" se comprova como uma das composições mais fortes ouvida nos três dias de festival. O final com "Horchata", "Mansard Roof" e a excelente "Walcott" (a última nuvem de pó do dia) dificilmente poderia ser mais certeiro.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Super Bock Super Rock 2010: Dia 16.

O Sol fere os olhos desprotegidos dos espectadores do palco secundário enquanto Annie Clark se encontra a fazer o soundcheck com a sua banda reduzida a dois elementos. Os St. Vincent foram muítissimo mal tratados no Meco: não pelo público, que os recebeu com aplausos e mesmo trauteando as versões reinventadas das belíssimas músicas dos discos; antes pelas péssimas condições de som, onde o feedback ganhou vezes demais à extraordinária voz de Annie Clark. Apesar da curta duração do set, foi um concerto bastante simpático para abrir o excelente cartaz de um festival que vezes demais pareceu um tubo de ensaio (especialmente para quem se congratula na sua décima-sexta edição).

Os objectos forrados a penas que caracterizam os concertos da actual digressão dos Beach House avançam, então, até à frente de palco. O Sol teima ainda em espreitar por cima das árvores que servem de pano-de-fundo ao palco quando Alex Scally e Victoria Legrand entram em palco sob um grande aplauso. Se existiram reservas relativamente à prestação da banda num ambiente um pouco diferente da sua última passagem por Portugal (em Abril, no Lux), estas deixaram de existir aos primeiros acordes. Não há nada perdido na tradução: enquanto os Beach House vão conquistando os corações da plateia com grande parte de Teen Dream (um álbum que continua a crescer e ao vivo ganha uma dimensão transcendente) e ainda uma investida no álbum homónimo ("Master of None") e duas em Devotion (Gila e Heart of Chambers), o Sol vai-se pondo atrás da vegetação. Quando é altura de tocar "Take Care" já o Sol se pôs e "10 Mile Stereo" é tocada já na escuridão, com as luzes a elevarem a experiência até à estratosfera. Na folha das directivas lumínicas do concerto lia-se "Go crazy" na descrição deste momento.
Na verdade, descrever um concerto dos Beach House começa a tornar-se bastante difícil, tamanha é a carga emocional envolvida. Fica encontrado, desde logo, o supra-sumo do festival.
Na verdade, descrever um concerto dos Beach House começa a tornar-se bastante difícil, tamanha é a carga emocional envolvida. Fica encontrado, desde logo, o supra-sumo do festival.

Abondonando muito rapidamente o palco secundário (fugindo a sete pés de The Temper Trap), os Cut Copy já se encontram a fazer mexer o público: Lights and Music e Strangers in the Wind já tinham passado, mas a verdade é que a banda é de uma grande competência a lidar com a pequena multidão que entretanto os ouvia. A sua sonoridade resulta muito bem in loco, apesar de a escolha de guardar temas novos para a recta final ser bastante discútivel.

Passam alguns minutos das 23h30 quando os Grizzly Bear sobem ao palco secundário, entretanto invadido pelas suas luzes presas em frascos que se ostentam de suportes metálicos. Claramente uma das bandas mais esperadas deste dia (a nível pessoal, do festival inteiro), o set da banda foi curto, directo e eficaz. Dentro do alinhamento houve tempo para cobrir os vários territórios explorados em disco, assentuando o seu experimentalismo nos meandros do rock e do folk. A certa altura, surge Victoria Legrand em palco para dar voz a "Two Weeks" e a "Slow Life", elevando a fasquia de um concerto já de si fabuloso. Termina-se com "While You Wait for the Others" e "On a Neck, on a Split", mas ainda há tempo para recolher alinhamentos e autógrafos enquanto os Pet Shop Boys actuam no palco principal.
domingo, 4 de julho de 2010
O que rodou no primeiro semestre de 2010
Ariel Pink's Haunted Graffiti, "Before Today" - 8/10
Pop orelhuda (não óbvia) transmitida por sobreposição de camadas numa telefonia com sinal inconstante. O saber fazer é uma coisa muito bonita, e Ariel Pink sabe.
Beach House, "Teen Dream" - 8+/10
Regresso ao dream-pop e chegada ao auge do curto (e deveras interessante) percurso da banda de Baltimore. Ver post do concerto do Lux Frágil.
Blood Red Shoes, "Fire Like This" - 7/10
Melhorou-se a técnica, manteve-se a urgência e arriscou-se. Belo disco de rock.
Crystal Castles, "Crystal Castles [2]" - 9/10
A revolução industrial com contornos obscuros deixa de ter espaço para os jogos da Atari. Ver post do concerto do Coliseu.
Here We Go Magic, "Pigeons" - 6+/10
Não se ofende ninguém nem se fazem novos amigos; se calhar é demasiado inofensivo para se livrar do rótulo de indie pop (bastante) passageiro.
LCD Soundsystem, "This is Happening" - 8+/10
O último acto nada deve aos seus precedentes; a electrónica pop actual não seria a mesma sem James Murphy. Há momentos quase à altura de "All My Friends" (dizer isto não é dizer pouco).
Los Campesinos!, "Romance is Boring" - 7/10
Pop orelhuda e muito energética: são eles que valem quando o estado de vigília teima em querer ausentar-se.
Massive Attack, "Heligoland" - 7?/10
Já se passou uma dúzia de anos desde o "Mezzanine" e a esse nível já não é possível chegar. Continua a ser-se bastante pertinente. Precisa de mais atenção (daí a interrogação).
MGMT, "Congratulations" - 8+/10
A reinvenção é essa coisa com penas.
Parallels, "Visionaries" - 7/10
Pontuais vocoders, sintetizadores e electrónica pop? Bring them on!
She & Him, "Volume Two - 7/10
Banda sonora para a estação primavera/verão de 2010. Parece-me que já se foi mais longe, mas desilusão não é termo que se aplique assim.
Sleigh Bells, "Treats" - 8/10
As minhas colunas nunca são as mesmas após cada reprodução de "Crown on the Ground".
Spoon, "Transference" - 7/10
Não é um disco que baralhe as cartas e volte a dar, mas um disco mais convencional dos Spoon é sempre avesso à falta de qualidade.
The Drums, "The Drums" - 6+/10
Álbum simpático para o Verão. Consegue trazer alguma alegria a uma estação sazonal sem grande interesse.
The National, "High Violet" - 7?/10
Há esforços em vão, mas há tiros certeiros; o sucessor de "Boxer" não é para ser recebido de ânimos leves. Merece mais atenção do que a obteve até agora.
The Radio Dept., "Clinging to a Scheme" - 6/10
Estes suecos já juntaram o shoegaze e a pop de forma bem mais interessante do que os Pains of Being Pure at Heart e vizinhos. Todos temos dias menos bons, ainda que exista "Heaven's on Fire".
Two Door Cinema Club, "Tourist History" - 6/10
Pop orelhuda óbvia. Interessante e catchy q.b.
Vampire Weekend, "Contra" - 8/10
Há energia do mesmo sítio de "Walcott" e continuam a existir africanismos emigrantes. Parece-me não haver aqui nada a mais.
Wavves, "King of the Beach" - 7+/10
A banda sonora oficial para a praia é esta, não são os The Drums.
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música
domingo, 13 de junho de 2010
Uma piada.

"Heard joke once: Man goes to doctor. Says he's depressed. Says life seems harsh and cruel. Says he feels all alone in a threatening world where what lies ahead is vague and uncertain. Doctor says "Treatment is simple. Great clown Pagliacci is in town tonight. Go and see him. That should pick you up." Man bursts into tears. Says "But Doctor... I am Pagliacci." Good joke. Everybody laugh. Roll on snare drum. Curtains."
Alan Moore, Watchmen
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coisas com penas
terça-feira, 11 de maio de 2010
Depois da tempestade

O que dizer de "Tell Me What to Swallow", faixa final do álbum de estreia dos Crystal Castles, datado de 2008? É um caso curioso. Do conjunto de faixas do disco, já de si bastante ecléticas, esta é a faixa que parece destacar-se mais do arranjo: pela sua contenção, pela sua secção rítmica reduzida a uma guitarra em strumming, pela sua fragilidade. São momentos musicais que vão ser repescados directamente às influências shoegaze e dream pop do final da década de 80, de uma atmosfera absolutamente etérea e flutuante. Só que estamos perante uma maçã envenenada: enquanto a sua composição melódica nos embala num limbo inegavelmente belo, a sua lírica paira por territórios infinitamente mais negros. Ouve-se a voz de Alice Glass a proferir "Through the wall he threw me, I knew he'd never hurt me, Daddy watch me sleeping", sendo rematada por um suspiro quase maternal e exterior que diz "I've been praying for you silently". "Daddy's love makes me whole, without him I'm insecure, the only girl he'd ever love", ouve-se a seguir, culminando com "Is the one that smells so pure.".
As interpretações são múltiplas, mas parece-me difícil retirar uma mensagem minimamente optimista disto. Não se pode dizer que seja uma música que renuncie às suas origens: que dizer dos tempos de "Paint a Rainbow" de My Bloody Valentine, onde se sugeriam cenários necrófilos, ou mesmo o suícidio sugerido por "Sueisfine"? Não significa isto que haja parte alguma da mensagem perdida no caminho: a sua objectividade é absolutamente dolorosa. "Tell Me What to Swallow" é uma mistura de duas forças quase antagónicas que podem muito bem resultar num colapso (até por parte do ouvinte). Assustadoramente belo.
As interpretações são múltiplas, mas parece-me difícil retirar uma mensagem minimamente optimista disto. Não se pode dizer que seja uma música que renuncie às suas origens: que dizer dos tempos de "Paint a Rainbow" de My Bloody Valentine, onde se sugeriam cenários necrófilos, ou mesmo o suícidio sugerido por "Sueisfine"? Não significa isto que haja parte alguma da mensagem perdida no caminho: a sua objectividade é absolutamente dolorosa. "Tell Me What to Swallow" é uma mistura de duas forças quase antagónicas que podem muito bem resultar num colapso (até por parte do ouvinte). Assustadoramente belo.
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música
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Alice practice
O Coliseu parecia uma sala demasiado grande para o evento da última terça-feira, a avaliar pela assistência que só completava metade da plateia no início do primeiro aniversário da Nokia Music Store portuguesa.
Não se pode dizer que os Youthless tenham sido a escolha mais acertada para começar a noite: o duo (por vezes trio) parece não ter grande coisa a acrescentar ao panorama musical onde se insere. Também a comunicação fragmentada entre o português e o inglês (sintomas da globalização) não os favoreceu particularmente, ainda que o facto do seu pedido de mosh tenha sido acedido pela audiência mais energética da frente de palco.
Pouco depois das 22h, os The Horrors tomavam conta do palco para debitar 90% do excelente "Primary Colours". Herdeiros directos do pós-punk, a atitude cénica encaixa perfeitamente nas composições negras da banda (ainda que se aproxime da Luz em alguns momentos-chave). A verdade é que a banda inglesa não se ficou aquém da competência que lhes era exigida, ainda que não tenha apresentado grandes rasgos que a transcendessem (em parte culpa do público que os recebeu de forma algo contida e de algumas imperfeições no som). Contudo, e ainda que o final da actuação reservasse "Sea Within a Sea" (música que em circunstância alguma parece falhar), quem os ouviu em Julho na praia do Taboão não perdeu, até aqui, grande acontecimento. Talvez também os The Horrors não tivessem o seu lugar mais favorável frente a uma plateia que ansiava pelo apocalipse que se avizinhava.
Não se pode dizer que os Youthless tenham sido a escolha mais acertada para começar a noite: o duo (por vezes trio) parece não ter grande coisa a acrescentar ao panorama musical onde se insere. Também a comunicação fragmentada entre o português e o inglês (sintomas da globalização) não os favoreceu particularmente, ainda que o facto do seu pedido de mosh tenha sido acedido pela audiência mais energética da frente de palco.
Pouco depois das 22h, os The Horrors tomavam conta do palco para debitar 90% do excelente "Primary Colours". Herdeiros directos do pós-punk, a atitude cénica encaixa perfeitamente nas composições negras da banda (ainda que se aproxime da Luz em alguns momentos-chave). A verdade é que a banda inglesa não se ficou aquém da competência que lhes era exigida, ainda que não tenha apresentado grandes rasgos que a transcendessem (em parte culpa do público que os recebeu de forma algo contida e de algumas imperfeições no som). Contudo, e ainda que o final da actuação reservasse "Sea Within a Sea" (música que em circunstância alguma parece falhar), quem os ouviu em Julho na praia do Taboão não perdeu, até aqui, grande acontecimento. Talvez também os The Horrors não tivessem o seu lugar mais favorável frente a uma plateia que ansiava pelo apocalipse que se avizinhava.

O compasso de espera de meia hora pareceu demorar infinitamente mais. Mas finalmente as luzes do Coliseu apagam-se e o palco, com o material de Ethan Kath à esquerda e a bateria ao centro, enche-se de fumo. A histeria enche então os lugares que ficaram vazios no Coliseu. Ouvem-se os primeiros ruídos de "Baptism" e percepciona-se a silhueta de Alice Glass através dos strobes. A explosão dos minutos seguintes não é passível de ser descrita: este foi um dos inícios mais energéticos de que tenho memória de assistir. Parece-me não ser exagero dizer que o público já estava conquistado ao fim da primeira música, a avaliar pelas declarações amorosas debitadas a Alice e pelo histerismo generalizado.
As investidas no primeiro álbum tiveram direito às recepções mais caóticas, ainda que ao vivo as músicas do segundo volume sejam igualmente exponenciadas. A paragem obrigatória em "Alice Practice", "Courtship Dating" ou "Doe Deer" tomaram o Coliseu de arrastão numa actuação absolutamente imparável, onde ainda houve espaço para os momentos mais etéreos de "Celestica", por exemplo, que ganha uma dimensão épica in loco.
A figura de Alice Glass é incortonável: a imagem algo contida é rapidamente dissipada num verdadeiro animal de palco, alternando entre as danças mais esquizofrénicas, o equilibrismo em cima da bateria e o crowd-surf. A verdade é que um concerto dos Crystal Castles transcende todas as barreiras de um acontecimento do seu tipo: é antes uma experiência sensorial sem paralelo irrecusável (ainda que exista quem me confirme que existiam dois pares de indivíduos absolutamente estáticos durante a actuação).
As investidas no primeiro álbum tiveram direito às recepções mais caóticas, ainda que ao vivo as músicas do segundo volume sejam igualmente exponenciadas. A paragem obrigatória em "Alice Practice", "Courtship Dating" ou "Doe Deer" tomaram o Coliseu de arrastão numa actuação absolutamente imparável, onde ainda houve espaço para os momentos mais etéreos de "Celestica", por exemplo, que ganha uma dimensão épica in loco.
A figura de Alice Glass é incortonável: a imagem algo contida é rapidamente dissipada num verdadeiro animal de palco, alternando entre as danças mais esquizofrénicas, o equilibrismo em cima da bateria e o crowd-surf. A verdade é que um concerto dos Crystal Castles transcende todas as barreiras de um acontecimento do seu tipo: é antes uma experiência sensorial sem paralelo irrecusável (ainda que exista quem me confirme que existiam dois pares de indivíduos absolutamente estáticos durante a actuação).

Alinhamento de Crystal Castles (04/05/2010):
Baptism
Fainting Spells
Courtship Dating
Insectica
Doe Deer
Celestica
Empathy
Reckless
Crimewave
Air War
Alice Pratice
Black Panther
Intimate
Exoskeleton
Yes No
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concertos





